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03/11/2021
Alta do preço da energia reduz PIB em 0,11% em 2021 e 0,19% em 2022, diz CNI

A alta na conta de luz —consequência da pior crise hídrica dos últimos 90 anos— apertou o orçamento das famílias brasileiras nos últimos meses e vai impactar diretamente a recuperação da atividade econômica.

De acordo com estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta quarta-feira (3), a inflação sobre a energia elétrica resulta em uma queda de 0,11% do PIB (Produto Interno Bruto) de 2021 e de 0,19% no indicador do ano que vem. Os valores são equivalentes a perdas de R$ 8,2 bilhões e R$ 14,2 bilhões, respectivamente, a preços de 2020.

 

 

 

No mercado de trabalho, a inflação sobre a energia elétrica deve resultar em uma perda de 166 mil empregos neste ano e 290 mil empregos em 2022, em relação à quantidade de pessoas ocupadas entre abril e junho de 2021.

Sozinho, o PIB industrial, relativo à indústria total (indústria e transformação, os serviços industriais de utilidade pública e a construção) deve sofrer com redução de 0,17%, equivalente a uma perda de R$ 2,2 bilhões a preços de 2020.

“Neste ano, o emprego na indústria total deve cair 0,20%, o equivalente a uma perda de 33,9 mil empregos em relação à quantidade de pessoas ocupadas entre abril e junho de 2021″.

Em 2022, o PIB industrial deve cair 0,29%, e o emprego no setor indústria total deve recuar 0,30%, o equivalente a 50,8 mil empregos.

“O aumento do custo da energia elétrica resulta em um preço maior para os consumidores. Parte deles passa a consumir importados. Isso resulta em produção menor no país, com efeitos que espalham por toda a cadeia de fornecedores, que também passam a produzir menos. Com menor produção, os setores tendem a precisar de menor quantidade de mão de obra. Parte dos trabalhadores são demitidos, reduzindo a renda das famílias”, disse.

“São dois efeitos, portanto, sobre o consumo, que se reduz com a queda da renda e com a elevação dos preços. Essa queda no consumo afeta negativamente todos os setores produtores”, disse o economista.

 

 

Conta de luz vai subir 18,8%:


Segundo a CNI, a conta de luz deve ter aumento médio de 18,80% em 2022, em decorrência da crise hídrica. O valor considera que a bandeira tarifária de escassez hídrica, que estabelece uma taxa extra na conta de luz de R$ 14,20 a cada 100 kWh e terá vigência até abril do ano que vem.

A CNI estima ainda que a bandeira tarifária tem um peso de 13,23% na conta de luz total das famílias. “O aumento total de 127,5% [em 2021] na bandeira tarifária deve se refletir em um aumento de 16,87% na conta de luz das famílias em relação ao valor inicial da bandeira vermelha patamar 2”, calcula.

Robson Braga de Andrade, presidente do CNI, afirma que, atualmente, 16 encargos, impostos e taxas setoriais incidem sobre a tarifa de energia elétrica. Segundo ele, essas taxas correspondem a 47% do custo total da tarifa de energia.

“O alto custo dos impostos e dos encargos setoriais e os erros regulatórios tornaram a energia elétrica paga pela indústria uma das mais caras do mundo, o que nos preocupa muito, pois a energia elétrica é um dos principais insumos da indústria brasileira. Essa elevação do custo de geração de energia é repassada aos consumidores, com impactos bastante negativos sobre a economia”, diz Robson.

 

 

 

Setores da indústria mais afetados:


A pesquisa ainda apontou que os setores industriais mais impactados com a tarifa energética são: gás natural e outras utilidades; metalurgia; fabricação de peças e acessórios para veículos automotores; produção de ferro gusa; ferroligas; siderurgia e tubos de aço; fabricação de produtos de madeira; mineração; têxteis; celulose e papel, além do próprio setor de energia elétrica.

A economista da CNI Maria Carolina Marques explica que o aumento no preço da energia não afeta todos os consumidores igualmente. Ela diz que “os impactos setoriais dependem da variação de preços, intensidade no consumo de energia e se os produtos fabricados pelo setor são comercializados internacionalmente”.

O estudo da confederação desconsidera o consumo de energia autogerada para a avaliação de impacto do aumento no custo da energia elétrica e utiliza as contas nacionais do IBGE como base para a calibração do modelo de equilíbrio geral computável utilizado. No total, foram considerados 67 setores de atividade, 129 produtos, uma margem de comércio, três margens de transporte, duas origens (doméstico e importado), uma família representativa, um nível de governo e um setor externo agregado.

Créditos: Vanderléia/g1/aquarelafm

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