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05/07/2022
Negociação por falta de pagamento da conta de luz cresce 51% neste ano

A média mensal de negociações de parcelamento de dívida de conta de luz aumentou 51% neste ano. Segundo a Enel Brasil, o dado mostra que os clientes têm buscado cada vez mais opções de parcelamento de dívida. No caso de São Paulo, o índice chega a 77%.

Os pedidos de parcelamento de dívidas antigas nas quatro distribuidoras do grupo (Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Ceará) já haviam aumentado desde o início da pandemia de Covid-19. No período de janeiro a maio, a negociação passou de 84 mil, em 2020, para 128 mil, em 2021, e chegou a 193 mil neste ano.

 

Ao todo, entre janeiro de 2020 e maio deste ano, a Enel Brasil recebeu cerca de 4,2 milhões de pedidos de negociação. Em São Paulo, o consumidor pode parcelar o pagamento da dívida em até 12 vezes, durante a campanha Enel Facilita, que será realizada nos dias 16 e 23 de julho.

A inadimplência no pagamento de serviços básicos, como água e luz, bateu recorde em março deste ano. Segundo a Serasa, o percentual foi de 23,2%, o maior índice para o mês dos últimos quatro anos. O número representa um aumento de 4 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2019.

Para o economista Robson Gonçalves, professor de MBAs da FGV (Fundação Getulio Vargas), o aumento do número de negociações ainda é uma herança do período mais crítico da pandemia de Covid-19.

A diarista Neildes dos Santos Campos, de 60 anos, que mora em Santana de Paranaíba, na Grande São Paulo, foi uma das consumidoras que precisaram negociar a conta em atraso. Ela chegou a ter a energia cortada de sua casa por falta de pagamento. "Mas agora está tudo certo, com a conta em dia", disse Neildes.

A companhia tem feito campanhas de renegociação de dívidas para os clientes na sua área de atuação. Segundo a Enel, as faturas em atraso podem ser parceladas em condições facilitadas e adequadas para cada perfil de dívida e cliente. A negociação pode ser realizada de forma online, pelo site da companhia ou nas lojas e postos de atendimento das distribuidoras.

Os consumidores que se encaixam no perfil baixa renda contam ainda com o benefício da Tarifa Social de Energia Elétrica, programa do governo federal que concede descontos nas tarifas de energia.

Podem receber a tarifa social famílias inscritas no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal) com renda mensal, por pessoa, menor ou igual a meio salário mínimo nacional; idosos com 65 anos ou mais ou pessoas com deficiência, que recebam o BPC (Benefício de Prestação Continuada); ou famílias inscritas no CadÚnico com renda mensal de até três salários mínimos e que tenham membro portador de doença ou deficiência.

 

 

Contas em dia:


Segundo o economista, manter as contas em dia exige fazer gestão das dívidas que ficaram do passado. A negociação de dívida, trocando por dívida mais barata, a priorização de gastos e a pesquisa antes das compras são o trio básico para manter o orçamento das famílias.

A conta de luz ficou 10,01% mais cara em São Paulo desde esta segunda-feira (4). Mas a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) poderá ajudar a frear o impacto do aumento para o consumidor e aliviar a pressão na inflação. 

"Até o final do ano existe uma pesrpsctiva de alívio na inflação por conta da redução do ICMS dos combustíveis. Se essa melhora nos preços dos conbustíveis se espalhar pela economia e a inflação fechar abaixo dos dois dígitos, ao mesmo tempo que o nível de emprego vai subindo,  cria-se um ambiente muito mais favorável para que as famílias mantenham a conta em dia e saiam das dívidas que contraíram no período mais grave da pandemia, além de evitar novos processos de endividamento e atraso nas contas essencials, como a de energial elétrica", avalia o professor de MBAs da FGV.

 

 

 

 

 

Créditos: Vanderléia/r7/aquarelafm

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