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17/12/2021
Influenza H3N2: o que explica o aumento dos casos de gripe no Brasil

Grandes centros urbanos do Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, apresentaram uma alta incidência de casos de gripe nas últimas semanas. O vírus Influenza, causador da doença, tem uma característica sazonal: ele circula durante o ano todo, nas diversas regiões do mundo, com predomínio nos meses do outono e inverno.

O aumento dos casos durante o mês de dezembro no país é um fenômeno incomum, que pode estar associado à baixa cobertura vacinal contra a gripe, à flexibilização das medidas de restrição adotadas como prevenção à Covid-19 e ao relaxamento da etiqueta respiratória, que inclui o uso de máscaras, a higienização das mãos e o distanciamento social.

“As campanhas foram centralizadas para a vacinação contra a Covid-19. Tivemos as campanhas de influenza, mas a adesão à vacina da gripe foi pequena. Quando há uma baixa adesão, também há um nível mais baixo de proteção”, afirma o médico infectologista Álvaro Furtado, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).

 

 

Vigilância dos vírus Influenza: subtipo H3N2:


No Brasil, a vigilância do vírus Influenza, causador da gripe comum, é realizada por três centros de pesquisa: o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), no Rio de Janeiro, o Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, e o Instituto Evandro Chagas, no Pará.

A partir de amostras recebidas de unidades de saúde de todos os estados e do Distrito Federal, os pesquisadores realizam análises e o monitoramento do perfil genético do vírus.

O virologista Fernando Motta, do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz, afirma que as linhagens do vírus influenza em circulação neste momento no país não apresentam variações genéticas que sejam desconhecidas pela comunidade científica.

Segundo ele, os casos estão associados principalmente à linhagem “Darwin” do vírus Influenza A (H3N2), que foi a cepa predominante da mais recente temporada de gripe no hemisfério Norte. Diferentemente do novo coronavírus, os nomes das linhagens do vírus da gripe são definidos de acordo com as cidades onde as amostras do vírus foram identificadas e isoladas em laboratório.

Uma das hipóteses para o aumento de casos no Brasil é que a linhagem Darwin não está incluída na composição das atuais vacinas em uso no hemisfério Sul. Seguindo a recomendação da OMS, de 2020, os produtores de vacina incluíram as linhagens de Influenza A/Victoria/2570/2019 (H1N1), A/Hong Kong/2671/2019 (H3N2) e B/Washington/02/2019 (B/linhagem Victoria).

Em geral, as campanhas nacionais de vacinação contra a gripe no Brasil têm início no mês de abril, antecipando a chegada do inverno, com o objetivo de proteger o organismo de pessoas mais vulneráveis, como idosos e crianças, imunossuprimidos e pessoas com comorbidades.

O Instituto Butantan, produtor das vacinas da gripe aplicadas no país pelo Sistema Único de Saúde (SUS), informou em um comunicado que os imunizantes atualizados começarão a ser fabricados em janeiro.

Para o pesquisador da Fiocruz, a possível antecipação da campanha de vacinação no país deve ser avaliada a partir do acompanhamento do cenário epidemiológico da doença nas próximas semanas.

“É uma circulação fora de época do vírus, pode ser que ela não se sustente. Existe uma grande probabilidade dela aparecer em outras partes do país. O adiantamento da campanha seria bom em vários aspectos, para debelar essa situação de surtos e reduzir a circulação viral”, diz Motta. “A vacinação em fevereiro seria boa também para auxiliar os estados da região Norte que apresentam circulação antecipada de Influenza em comparação com os estados do Sul e Sudeste”, completa.

 

 

 

 

Créditos: Vanderléia/g1/aquarelafm

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