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17/12/2021
Unicef: 72% das famílias mais vulneráveis têm crianças que pularam refeições

Um estudo do Unicef divulgado nesta quinta-feira (16) apontou que 72% das famílias entrevistadas têm alguma criança com idade até 5 anos que deixou fazer alguma refeição por falta de dinheiro para comprá-la. Antes da pandemia, o número era de 54%.

O levantamento analisou os hábitos alimentares de famílias beneficiadas pelo Bolsa Família com crianças menores de 6 anos. Foram entrevistadas 1.343 pessoas responsáveis por 1.647 crianças, em 21 estados.

“A intenção foi ter o olhar focado nos mais vulneráveis, a gente vem acompanhando desde o começo da pandemia como a alimentação foi afetada, com mudança do padrão e aumento da insegurança alimentar”, afirmou Stephanie Amaral, oficial de saúde do Unicef do Brasil.

Segundo ela, “a publicação mostra que teve alto consumo de produtos ultraprocessados por crianças”, com 80% respondendo que consumiram produtos deste tipo no dia anterior.

“A qualidade da alimentação é ruim, crianças tinham ingestão inadequada de ferro e vitamina A, e a gente percebe que a insegurança é muito mais agravada, as crianças precisam da alimentação para se desenvolver plenamente, deixar de se alimentar traz impactos para o futuro”, avaliou.

A palavra-chave que explica o consumo de alimentos ultraprocessados, para Stephanie, é o acesso.

Ela afirma que há o que se denomina “deserto alimentar” em comunidades menos favorecidas, que são os locais que não têm fácil acesso a alimentos in natura, como verduras, frutas e carne.

64% das famílias afirmaram morar perto de estabelecimentos de refeições prontas e 54% próximos de lojas de conveniência, enquanto o acesso a hortas perto da casa é menor, apenas em 15% dos casos.

“O outro fator é o preço, foi aumentado, todo mundo foi afetado, essa situação é mais grave nesses lugares para quem não tem dinheiro; 99% das pessoas entrevistadas falam que precisam de doações para que possam se alimentar”, disse.

Stephanie avalia que é importante que se tenha acesso à informação para que, se puderem, as famílias façam escolhas mais saudáveis, com conscientização nas escolas e unidades de saúde. Ela também pede que políticas públicas abordem o tema.

Créditos: Vanderléia/g1/aquarelafm

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